sábado, 25 de março de 2017

Amor é escolha

“Paixão é por acaso, amar é de propósito.” – Fabrício Carpinejar


É isso, paixão vem com pé na porta, vem quando a gente não espera. Não avisa mesmo, acontece no meio de uma balada ou na fila do mercado, paixão é sempre urgente, não espera, não liga se você quer ou não, ela simplesmente se instala em você. O amor não… Ah, o amor! O amor a gente escolhe mesmo, a gente escolhe amar quando ouve com atenção as histórias do outro. A gente escolhe amar quando passa pela comida que o outro gosta no mercado e resolve levar. A gente escolhe amar quando troca uma balada pra fazer companhia pro outro que pegou um resfriado, a gente escolhe amar quando escolhe cuidar. A gente escolhe amar quando manda uma mensagem de bom dia e uma de boa noite, quando o sexo é tão bom quanto ficar aninhado no peito do outro. A gente decide amar quando quer dividir as músicas preferidas, quando quer rever os filmes preferidos ao lado do outro, quando quer ver os filmes que a pessoa mais gosta. A gente decide amar quando leva pra conhecer os amigos, quando escancara as portas da casa e da vida pro outro entrar e bagunçar como quiser. A gente escolhe amar quando não quer mais ter razão por pura vaidade porque ser feliz e fazer feliz é mais importante.
A gente escolhe amar quando não quer dormir sozinho, quando troca a cama espaçosa pelo pé no pé, quando prefere dividir o lençol e acordar olhando pro outro. A gente decide amar quando vai conhecer o pai, a mãe, a irmã, os tios… quando a família do outro passa a fazer parte dos seus dias. A gente decide amar quando abandona os flertes, quando o interesse de uma pessoa vale mais que as investidas de outras 20. A gente escolhe amar quando descobre defeitos e ainda assim não sai do lado, quando programa a mente pra valorizar o que o outro tem de bom. Escolhe amar quem não liga de pegar o trânsito do fim da tarde só pra uma janta improvisada em casa. Escolhe amar quem não dorme sem resolver o problema, escolhe amar quem se alegra com o sorriso do outro, quem comemora o sucesso do outro. Escolhe amar quem deixa pra trás algumas certezas e se abre pro novo.
Amar é uma sucessão de decisões, ao contrário da paixão que decide pela gente. Amor a gente constrói aos poucos, todos os dias. Amor é quando duas pessoas escolhem andar lado a lado não por precisarem uma da outra, mas simplesmente porque preferem a vida compartilhada. Amor é cumplicidade, quem ama tem riso frouxo, não se sente só, se diverte até no mercado. Quem ama, escolheu amar e escolheu todos os dias. Amar é decidir diariamente. Paixão vai embora da mesma forma que veio, sem avisar, sem nosso controle… o amor vai embora quando a gente escolhe que ele vá, quando a gente vai abrindo mão aos pouquinhos. E ah! Amor é via de mão dupla. É de propósito, mas só acontece quando a gente dá a sorte de encontrar alguém fazendo as mesmas escolhas que a gente.
Hariana Meinke

sexta-feira, 17 de março de 2017

Sonho de criança...

Ahhh, a pediatria... (suspiros emociodados)
Antes de me imaginar *médica*, me imaginava "médica de criança", era mesmo assim que eu falava nos meus inocentes 4 anos de idade... E foi esse sonho que me sustentou em todas as batalhas perdidas até entrar na faculdade, foi esse sonho que me sustentava em todos os momentos.. Na faculdade a gente vai conhecendo outras realidades, especialidades e acabamos sendo atraídas e nos identificando mais com outras áreas específicas que não esta que sonhamos tanto antes de entrar. Mas estou aqui, aprendendo a arte de ser médica! Fruto de um sonho de menina que estou alcançando aos poucos, que venho caminhando a quase 5 anos para alcançar. No internato de pediatria me vi diante dessa inexplicável sensação.. Meu Deus, tudo o que eu sempre desejei!!!... E mesmo quando chegava cansada, estressada, depois de uma noite mal dormida... eu conseguia encontrar naqueles sorrisos inocentes a força e o amor de Deus... A experiência foi enriquecedora tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Me preocupei com a alimentação de crianças nos ambulatórios de puericultura, aliviamos as dores e as angústias de crianças com doenças agudas em pronto socorro, chorei com os nascimentos de milagres da vida na sala de parto, reanimei um recém-nascido... e percebi. Meu Deus, eu percebi. A responsabilidade que tenho sobre mim. O quanto minhas mãos precisam de suas Bênçãos para que eu possa continuar operando seus milagres por aqui...
Hoje não consigo mais me imaginar pediatra, mas sem dúvida a importância que essa especialidade teve sobre toda minha vida e, agora, sobre a percepção de minha responsabilidade como futura médica e como pessoa, sem dúvida marca minha vida, pra sempre.
O sonho de toda a minha vida estava ali, bem diante de mim, chegou, levantei os braços e pude alcançar, abracei .. agradeci! Obrigada meu Deus e minha Nossa Senhora!

Mirella Cristina

domingo, 18 de dezembro de 2016

Carta para quem amou em 2016

Este não foi um ano fácil, é verdade. Talvez porque tenha sido a própria contradição: demorou, ao mesmo tempo em que voou. E, já que a felicidade é estar onde se está (nem pensando em como será o futuro, nem vivendo do que foi o passado), você pode se sentir orgulhoso. Amor é entrega e é preciso coragem para abrir mão do medo. Quem amou em 2016 pode terminar o ano feliz.
Mesmo aqueles que amaram por uma hora. O ano tem mais de 8 mil horas, mas se uma delas foi de amor intenso – mesmo cego, mesmo burro, mesmo calado – valeu a pena. Porque amor não depende de tempo para ser eterno: se durou 15 minutos ou uma vida é amor, é o mesmo amor.
Também já pode sorrir quem sofreu de amor. Porque isso significa que amou. E amar sempre vale repetir, é um presente. Sofrer de amor faz de nós mais humanos, menos exigentes com a vida e mais certos de que não importa o sofrimento que vai chegar depois: viver é sobre se permitir arriscar.
Termine o ano leve se você ainda ama. Se amou a mesma pessoa desde janeiro, você venceu a pior das armadilhas da rotina: fazer com que o amor se torne tão banal quanto o café da manhã ou o beijo de boa noite. Exercitar o amor é amar sem medidas.
Ter amado mais a si mesmo também é motivo de festa. O convívio mais difícil é o único que não podemos evitar. Relacionamentos terminam, amizades se diluem, paixões esfriam. Mas olhar no espelho é todo dia. Ser gentil consigo e se perdoar é todo dia. Se você conseguiu encarar os seus olhos e sentir verdade no que viu e tem a sensação de estar mais perto de você do que no último réveillon, comemore.
Celebre o amor que sentiu pelos seus amigos. Todas as vezes que se apaixonou pela personalidade de alguém que jamais imaginou gostar, as gargalhadas que dividiu com desconhecidos cúmplices, os carinhos que recebeu depois da saudade quase te afogar. Cada garfada de um prato feito com carinho, todo presente que ganhou sem esperar, as energias positivas que se permitiu mandar para alguém que não esperava. As conquistas suadas de todos os dias, a alegria que sentiu pela promoção de um colega, a sombra que traz um pouco de alívio no calor.
Comemore, sobretudo, se você entendeu que amor não é um relacionamento. É um sentimento que faz tão bem a quem emana quanto a quem recebe. Amor é um jeito de ver a vida que às vezes se confunde com o jeito que vemos alguém. Ainda bem.
Marina Melz - adaptado (http://entendaoshomens.com.br/)

domingo, 9 de outubro de 2016

"São tempos difíceis para os sonhadores..."



"São tempos difíceis para os sonhadores..." 

Essa frase nunca ficou tão evidente como nesses últimos dias... Eu preciso desabafar. Eu vou desabafar...
Enquanto não tivermos os exames básicos e necessários para diagnóstico eficiente das doenças de nossos pacientes, enquanto não tivermos a medicação básica e essencial para nossos doentes, enquanto a medicina for tratada de modo empírico e, infelizmente, muitas vezes paliativas, são as PESSOAS que vão sofrer. São HOMENS, são MULHERES, são IDOSOS, são CRIANÇAS, são HUMANOS.
Me entristece demais o fato de estarmos estagiando em um hospital renomado, com excelentes profissionais, excelentes professores, excelentes pesquisadores... mas que não podem exercer o que foram ensinados, não podem exercer - em sua integridade - o que ensinam... por falta de TUDO. Estrutura, medicamentos, exames complementares...
Os profissionais estão estressados, decepcionados, desmotivados, sem forças... Nos perdoem, tentamos fazer e dar o nosso melhor, mas é realmente TÃO difícil sobreviver sorrindo à tudo isso...
Que Deus nos dê forças para aguentarmos esse dia-dia tão carregado de dificuldades, o dia-dia que queremos fazer o nosso melhor pros nossos pacientes mas não temos nada, só nossa dedicação e força de vontade. Que Deus ilumine as famílias de nossos pacientes que estão falecendo nos hospitais em meio a todo esse caos. Que Deus ilumine os profissionais da saúde como um todo, que nos dê forças sempre para sobreviver e continuarmos sorrindo... e sonhando com dias melhores.

Mirella Cristina


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

"Esses dias eu queria ser feliz. Mas, diferente de muitos, eu queria ser ingênuo com a minha felicidade. Queria acreditar que ela é só isso mesmo. E ponto. Esquecer um pouco o dinheiro e os amores, as contas e os maus humores. Ficar ali conversando e, sem pensar, me sentir compreendido e sereno. Mas compreendido de uma maneira que não me faltasse vontade nem coragem de abraço e beijo. De sentar e chorar o que me dói. De rir do que me alegra, mesmo quando o riso for besta. E saber que ali existe amor e calmaria, verdade e simplicidade."

Frederico Elboni

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Carta para ela


Vó...
Tudo bem ai? A senhora não vai acreditar no que aconteceu hoje... na realidade, acho que a senhora até já sabe... Vó, tô desconfiada que foi a senhora que organizou isso! Sabia!
Eu tive um susto quando dei de cara com aquela paciente vó... ela é tão tão tão parecida com a senhora! Vó, elas já me receberam com um sorriso no rosto, braços abertos e dizendo meu nome... A doutoranda que me passou o caso disse pra eu tomar conta dela... Mas vó, ela é tão parecida com a senhora!!!! É incrível como em cada paciente eu vejo um pouco de ti... um pouco do seu sorriso, um pouco do seu olhar, um pouco de suas lágrimas, um pouco da sua expressão, um pouco do seu sono, um pouco da sua voz... Cada paciente meu tem um pouco de ti. Tem um pouco de Deus. E eu os amo como eu a amava. 
A senhora me via tanto nos corredores dos hospitais que a senhora se internava... me chamava mesmo eu estando alguns km de distância ... é engraçado como agora eu que a vejo em cada corredor e cada leito daquele hospital... é engraçado como eu quero cuidar deles como eu queria ter tido a oportunidade de cuidar de ti... 
Que responsabilidade, vó... cuidar de ti... cuidar deles. Me ajuda daí, tá vovó? Eu sei que estás comigo... Eu sinto tanta saudade! 


Eu te amo minha netinha......
(Sim, ainda ouço essa frase com a sua voz vovó... fecho os olhos e sinto... não quero nunca esquecer do som da sua voz...)

Mirella Cristina

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Imensidão - Parte 1


É tão bom se encantar pelas coisas simples e perceber que não é preciso muito para ser feliz...

Hoje comecei meu dia olhando o mar... E realmente esta frase veio a calhar. É engraçado como a gente gosta de complicar as coisas, as pessoas, as ocasiões... Mas demoramos tanto a perceber que o que realmente importa está no simples, no óbvio. Não é preciso muito para ser feliz.

Sim... Eu fui feliz, muito feliz neste primeiro rodízio do meu Internato.
A gente inicia essa jornada com tanto medo, com tanta expectativa, com tanta ansiedade... Aquele famoso medo do novo. Mas hoje, depois dessas semanas todas percebo o quanto a gente pode crescer sem nem mesmo notar. É uma evolução diária junto com aqueles que nos ensinam tanto... Nossos pacientes.

Na medicina de família e comunidade eu aprendi um mundo de novas informações. Aprendi um mundo de especialidades. Aprendi um mundo de medicamentos. Um mundo de patologias. Um mundo de transtornos. Mas também aprendi um mundo de sensibilidade. Aprendi um mundo de sonhos. De anseios. De medos. Aprendi, na prática, a importância real do trabalho multidisciplinar. Aprendi a importância da visita domiciliar. Dos grupos de apoios. Aprendi o mundo do Método Clínico Centrado na Pessoa, o mundo da verdadeira empatia. Aprendi sobre o SUS que funciona, SIM. Aprendi sobre o mundo das pessoas que se doam.

Olho pro mar... Imensidão. Olho pra mim... gratidão.

Mas sei que esse é só o começo... Dessa imensidão de informações, de aprendizado, de conhecimentos, ainda me falta tanto!!

Mirella Cristina

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Para o amor que vai chegar



Já pensei em ter encontrado o amor em muitas pessoas, me joguei em histórias porque realmente acreditei que poderia dar certo. As pessoas foram e deixaram um punhado de cicatrizes. Essas cicatrizes não foram provocadas por elas e sim pelas minhas próprias expectativas.

Talvez eu não estivesse preparada, ou talvez o amor não seja pra mim, talvez me falte aptidão, amar às vezes me soa como um sonho que escolheu continuar sendo sonho e nada mais.

Não falo desses sentimentos com ninguém e agora estou falando para uma pessoa que ainda não existe, talvez você esteja em um sonho distante, enfim, talvez seja só mais uma carta em uma garrafa que irá vagar sem destino, até submergir no tempo.

A esperança é uma maneira poética de envelhecer.

As pessoas não sabem como eu me sinto, todos gostam de dizer que são únicos, mas eles não sabem o quão difícil é não se encaixar, é difícil tentar explicar que eu não sou como outras pessoas, pensar diferente é outra maneira de assumir que sou uma solitária. Eu me sinto estranha, mas sei quem eu sou.

E essa solidão que eu sinto sabe doer. Esse pressentimento que talvez o meu destino seja ficar sozinha.

Essa não foi uma carta das mais felizes, mas talvez você queira dividir a minha tristeza.

P.S Desculpe pelo choro e pelo soluço são duas coisas que eu não aprendi a controlar. Mas você não sabe como é esse sentimento. Meu Deus! Estou escutando a mesma música há duas horas.


(Mas é outro texto que poderia ter sido escrito por mim...)

sábado, 4 de junho de 2016

Auto-conhecimento x Futuro Profissional




A busca pela nossa profissão/especialidade nada mais é do que uma busca pelo auto-conhecimento. Uma coisa puxa a outra. E a serenidade no coração quando a gente começa a nos conhecer melhor e a (re)pensar nas opções do futuro?... 
Tudo começa a se encaixar... tudo começa a fazer sentido. 
E é muito bom sentir isso.

                                                                                                                                                           Mirella Cristina

domingo, 8 de maio de 2016

Cuida de mim, tá?


Vó, hoje foi difícil segurar algumas lágrimas de saudades. 
Acordamos querendo te ligar pra dizer o quanto te amamos e desejando que este dia fosse lindo e doce. 
Vó, hoje, mais do que nos últimos dias, senti a saudade de não te ter mais neste plano. 
Vó, a saudade é grande, imensa, machuca, dói... 
Queria te ouvir cantar pra mim no telefone, queria te ouvir dizer que estava morrendo de saudade, queria te ouvir prometendo que vinha nos visitar quando melhorasse, queria até te ouvir chorar de saudade por estar falando comigo e contando as horas pra me ver. 
Vó, o Santa Cruz foi campeão pernambucano, a senhora tá sabendo?!?! Pois é! Eu queria tanto estar vendo sua reação de felicidade com essa notícia... 


Queria tanto ouvir dizer: Eu te amo tanto minha netinha, tanto...! Vovó está com muitas saudades, viu? 
- Eu sei vovó... eu que sinto tanto a sua falta... Feliz seu dia. Eu te amo vovó. Me escutou né? Eu te amo, vovó! Não, não tô chorando vó, prometo. É só aquele bendito cisco da saudade, sabe? Prometo que já já vai passar... Cuida de mim daí, tá?

Mirella Cristina